A Criança
A
criança é o ser que recomeça a existir na Terra e está temporária e
parcialmente adormecido, tornando-se receptível às sugestões de uma nova
educação. Ser inteiro, livre, interexistente que se manifesta em corpo frágil
de criança, para retomar as experiências no mundo em moldes diversos dos que já
experimentou no passado e poder integrar essa nova personalidade em formação às
múltiplas personalidades já vividas, que constituem o seu eu integral. Sua
volta à Terra justifica-se pelo processo de permanente educação do espírito,
que deve atingir a perfeição. Não estando ninguém condenado eternamente à
infelicidade por causa das imperfeições que carrega, têm todos os seres
sucessivas oportunidades de irem construindo a si mesmos, na esteira dos tempos
milenares. Simultaneamente, vêm com determinadas tarefas existências, para
contribuírem com a melhoria coletiva.
Os
determinismos relativos a que se submete o ser reencarnante, como criança -
hereditariedade, influência do meio sociocultural, limitações físicas ou
psíquicas - foram livremente aceitos e escolhidos para facilitar o processo de
educação do Espírito na existência e o cumprimento das tarefas assumidas.
Essencialmente
bom, porque criatura divina, o ser reencarnante é, pois, ao mesmo tempo, relativamente
imperfeito, dependendo o grau de suas virtudes e vícios, conhecimentos e
capacidades, de seu estágio evolutivo. Mas, justamente por recomeçar esquecido
e adormecido, tais tendências positivas e negativas se mostram ainda
fugazmente, predominando a bondade essencial do ser humano, em sua pureza,
capacidade de amar e receptividade ao bem. Na "roupagem da
inocência", a criança está mais próxima de sua verdadeira essência,
podendo ser tocada mais facilmente para se tornar nesta vida um ser interexistente,
plenamente responsável por si e pelo próximo. Em estado de permeabilidade
psíquica e moral, é ávida por aprender e agir, por expandir-se em energia e
afetividade.
Enquanto
criança, aliás, mais perto do mundo espiritual, de onde veio, ainda em processo
de tomar posse do novo corpo, ela é naturalmente mais interexistente: muitas
vezes, lembra-se de suas vidas anteriores, vê Espíritos, têm percepções
precisas a respeito de ambiente ou pessoas, mostra-se insofismavelmente
convicta da vida após a morte e da existência de outras dimensões. Com o
crescimento físico, integrando-se cada vez mais no corpo e sujeita às
influências do meio, se não for mantida acesa a chama da espiritualidade,
poderá bruxulear ao peso das lutas do cotidiano e ante as atrações da
materialidade.
Dora
Incontri, Pedagogia Espírita (Cap. 7 - Por um Pedagogia Espírita: teoria e
prática, item 7.1 Fundamentos)
Bom dia família,
ResponderExcluirEsse texto será como que uma cartilha orientadora para nossa compreensão básica das crianças que foram confiadas a nós para o trabalho de evangelização. Leiam e releiam com atenção cada parágrafo e percebam o quanto o texto nos enriquece de uma compreensão mais clara dessa fase tão complexa que é a do desenvolvimento infantil.
Que Jesus nos abençoe!
Esse capítulo do livro Pedagogia Espírita nos conscientiza sobre a responsabilidade que temos no processo de desenvolvimento e educação das crianças. Utilizando o Amor como nosso principal instrumento , podemos auxiliar melhor nossos educandos nos desafios dessa existência.
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