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Mostrando postagens de 2019

A Música Celeste

Esta manhã, minha filha, teu pai te leu uma passagem de O Livro dos Espíritos. Tratava-se de música e tu aprendeste que a do céu é muito mais bela do que a da terra. Os Espíritos acham-na muito superior à vossa. Tudo isto é verdade; no entanto, dizias intimamente: Como poderia Bellini vir dar-me conselhos e ouvir a minha música? Foi provavelmente algum Espírito leviano e farsista. (Alusão aos conselhos que o Espírito Bellini às vezes lhe dava sobre música.) Enganas-te, minha filha. Quando os Espíritos tomam sob a sua proteção um encarnado, o objetivo que colimam é fazê-lo adiantar-se. Assim, Bellini já não acha bela a sua música, porque não a pode comparar à do Espaço; mas, vendo a tua aplicação e o teu amor a essa arte, se te dá conselhos, é por sincera satisfação. Ele deseja que o teu professor seja recompensado de todo o seu esforço. Achando suas composições muito infantis, em face das sublimes harmonias do mundo invisível, ele aprecia o teu talento, que se pode qualificar de gra...

Crianças

“Vede, não desprezeis alguns destes pequeninos...”  Jesus (Mateus, 18:10) Quando Jesus nos recomendou não desprezar os pequeninos, esperava de nós não somente medidas providenciais alusivas ao pão e à vestimenta. Não basta alimentar minúsculas bocas famintas ou agasalhar corpinhos enregelados. É imprescindível o abrigo moral que assegure ao espírito renascente o clima de trabalho necessário à sua sublimação. Muitos pais garantem o conforto material dos filhinhos, mas lhes relegam a alma a lamentável abandono. A vadiagem na rua fabrica delinqüentes que acabam situados no cárcere ou no hospício, mas o relaxamento espiritual no reduto doméstico gera demônios sociais de perversidade e loucura que em muitas ocasiões, amparados pelo dinheiro ou pelos postos de evidência, atravessam largas faixas do século, espalhando miséria e sofrimento, sombra e ruína, com deplorável impunidade à frente da justiça terrestre. Não desprezes, pois, a criança, entregando­-a aos impulso...

Galho Verde

“... A partir do nascimento, suas idéias retomam gradualmente impulso, à medida que se desenvolvem os órgãos...”   “... Durante o tempo em que seus instintos dormitam, ele é mais flexível e, por isso mesmo, mais acessível às impressões que podem modificar sua natureza e fazê-lo progredir...” (Capítulo 8, item 4 do ESE.) Quando crianças, somos como uma “argila frágil” ou mesmo como um galho verde prontos para ser modelados ou direcionados pelos nossos pais, que têm por missão desenvolver nossos potenciais como uma de suas principais tarefas. Grande parte de nossas percepções e reações emocionais foram internalizadas em razão da influência dos adultos à nossa volta. Desde o nascimento, somos todos extremamente sensíveis ao ambiente em que vivemos; por isso, os adultos devem meditar sobre as posturas que irão tomar em relação às crianças, pois terão grave importância em seu desenvolvimento futuro. Determinados       atos    ...

O mistério do Ser

A educação depende do conhecimento menor ou maior que o educador possua de si mesmo. Porque conhecer-se a si mesmo é o primeiro passo do conhecimento do ser humano. A Humanidade é uma só. O ser humano, em todas as épocas e em toda parte, foi sempre o mesmo. Sua constituição física, sua estrutura psicológica, sua consciência são iguais em todos os seres humanos. Essa igualdade fundamental e essencial é o que caracteriza o homem. As diferenças temperamentais, culturais, de tipologia psicológica, de raça ou nacionalidade, de cor ou tamanho são apenas acidentais. Por isso mesmo a Educação é universal e seus objetivos são os mesmos em todas as épocas e em todas as latitudes da Terra. Essa padronização, que devia simplificar a educação, na verdade a complica, porque por baixo do aspecto padronizador surgem as diferenciações individuais e grupais. Cada indivíduo é único, diferente de todos os demais, mesmo nos grupos afins . O tipo psicológico de cada ser humano é único e irredutível à...

Ideário do educador

1.      Pensar no bem, falar no bem e exemplificar o bem. 2.      Ser comedido nas palavras, correto na ação e ponderado nas emoções. 3.      Cultivar a alegria, evitar a leviandade e mostra-se sempre sincero. 4.      Amar sem apego, ser doce com seriedade e firme sem dureza de coração. 5.    Procurar a sabedoria com humildade, prezar a inteligência com clareza e ensinar com simplicidade. 6.      Fazer-se entendido por todos, amado pelos bons e respeitado pelos rebeldes. 7.      Servir à sociedade, transcender as convenções e buscar o Reino de Deus. 8.      Ser puro de coração, elevado no pensamento e nobre no proceder. 9.    Servir aos homens como quem serve a Deus, amar todas as crianças como suas e conviver amistosamente com a juventude. 10.    Lutar pela educação universal, empe...

Arte de formar os caracteres

Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos [Grifos nossos]. Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das conseqüências des...