Relato de uma médium
Emmily
Segunda-feira, 02 de abril de 2018
O dia transcorreu sem maiores problemas, a não ser o sono muito forte no meio da tarde.
O dia transcorreu sem maiores problemas, a não ser o sono muito forte no meio da tarde.
Após
a prece que daria início a reunião, relatei algumas sensações ao dirigente e
depois de algum tempo percebi Frederich (Amigo espiritual da médium) no
ambiente do hospital no Caminheiros (Centro espírita em Sete Lagoas).
O
dirigente pediu que eu procurasse o sentimento da Mãe Serena (Outro amigo
espiritual da médim), o que logo ocorreu.
Mãe
Serena me levou para uma espécie de creche-berçário, na dimensão espiritual
(Desdobramento do espírito do corpo físico para interação com o plano
espiritual). Havia dezenas de bebês e crianças que aparentavam ter no máximo
quatro anos. Estavam inquietas, agitadas. Estávamos, eu, Mãe Serena e mais duas
mocinhas com semblante adolescente naquela sala ampla e cheia de crianças.
A
amiga pediu então que eu escolhesse e contasse a eles duas parábolas. Logo
busquei “A Parábola do Semeador “ e “A Parábola do Filho Pródigo”. Sou
obediente e procuro fazer o que a espiritualidade solicita, quando sinto a
sintonia, mas me afligi diante daquele pedido.
“Mãe
Serena quer que eu apascente essas ovelhas?!”
Pedi
para os meninos sentarem em rodinha e tentei teatralmente começar pela Parábola
do Semeador. Alguns estavam com os olhinhos vidrados, prestando atenção, no
entanto, haviam outros bastantes inquietos e travessos. Meu perispírito suou
frio. Mãe Serena, serena me olhava. As outras duas mocinhas apenas evitavam que
as crianças se machucassem subindo nos bercinhos, mas não pediam silencio ou
algo assim. Confesso, fiquei um pouco aflita. Aliás, muito aflita.
Então,
eis que surge Luara, o índio (outro espírito amigo que orienta os trabalhos
mediúnicos), trazendo a Emily, uma das nossas tuteladas no trabalho com a
educação de crianças no Caminheiros. Ele
entrou segurando a menina pelas mãos e disse sorrindo que havia trazido
reforço!
Pensei:
Ai meu, Deus! Olha o reforço que ele trouxe!
Amo
a Emily e a vivacidade dela, mas naquele momento achei que Luara queria era me
testar.
O
índio ficou na porta por alguns instantes e a Emily entrou e me abraçou,
abraçou a Mãe Serena e olhou direto para mim, como a dizer que eu deveria continuar contando a parábola.
Tentei umas frases, mas os meninos ficaram ainda mais inquietos.
Ela
levantou e me disse:
-
Tia, você está muito travada. Tem que se soltar mais. Dizendo isso ela
consertou minha postura e me pediu para levantar. Eu havia escolhido sentar
para ficar da altura das crianças, mas não alcançava com a visão, os bebês no
berço.
-
Olha, eu vou te ajudar, disse ela!
Emily
começou a contar a parábola do Semeador, buscando o olhar dos meninos, andando
sobre a sala. Os meninos que andavam vieram para o centro e silenciaram pouco a
pouco. Fiquei em pé e via que apenas um bebê revirava no berço.
Emily
continuou a parábola inteira, com vigor e beleza nos detalhes. Perguntava de
vez em quando alguma coisa e as criancinhas respondiam. Mãe Serena sorria
matreira.
Quando
acabou, as crianças pediram mais. Então ela disse que agora seria comigo.
-
Tia, conta a outra história. Você já conhece, então lembra e conta para nós.
Foi nesse momento que ela começou a falar como adulto (a espiritualidade
permitiu que ela recobrasse a lucidez plena de seu espírito):
-
Todos nós temos os recursos essenciais para os trabalhos que fomos destinados a
fazer. O medo, a vergonha, a aflição, a vontade de desistir, é uma desconexão,
mesmo que breve com o Criador, que tudo provê. A conexão é a fé e ela não tem
limites nas psicosfera dos mundos. Ela apenas perpassa e É. A entrega sempre
foi necessária, mas nesse momento ela é imprescindível para o que nos
comprometemos fazer.
Depois
ela voltou para o sorriso doce e me diz:
-
Confia, tia! Estamos aqui! E pegando na minha mão: Eu estou aqui!
Senti
naquele momento os sentimentos todos de Mãe Serena, Frederich, Luara, como se
fossem todos a mesma coisa, como se fosse o próprio Jesus.
Contei
a Parábola do Filho Pródigo com meu coração e houve silencio. Peguei no colo o
bebê que continuava inquieto, acolhendo com meu peito e embora eu nunca o tenha
visto, senti saudade, como se me despedisse. Ele se aconchegou em mim e dormiu,
finalmente, enquanto eu ainda contava a parábola. Vários outros dormiram
também.
Mãe
Serena, que sustentava aquele momento com suas vibrações amorosas, me enviou um
olhar de ânimo e coragem, e foi uma das raras vezes em que me senti realmente
proativa, parceira do trabalho, embora aprendiz.
Agradeci
a lição e a oportunidade e os trabalhos continuaram.
Relatei
ao dirigente e depois refleti sobre esses espíritos pelos quais nos
responsabilizamos. Todos são nossos mestres, pois aprendemos muito mais com
eles, do que ensinamos, não importa a hierarquia que integram.
Benditos somos por isso!
Ao ler esse texto me senti muito emocionada. Pude reconhecer a importância do nosso envolvimento com as crianças, nossos sentimentos e a pedagogia a ser utilizada. Enxerguei também, o quanto é essencial o amparo espiritual durante o trabalho desenvolvido. Concluo, afirmando que somos abençoados pela oportunidade de sermos mestres e aprendizes.
ResponderExcluirPercebemos que a semente divina está sendo plantada e regada por todos nós que abrindo mão do lazer de um sábado de manhã, para evangelizar essas crianças que vivem uma realidade difícil, mas que ainda sim, carregam grandes valores na alma. No trabalho mediúnico percebemos o quanto, esses espíritos possuem um patrimônio de valores espirituais incrível, cabendo a nós promover as circunstâncias para que eles se apercebam disso, e coloquem em prática em favor deles e do próximo, mesmo, e principalmente na comunidade carente em que eles vivem.
ResponderExcluirMe emocionei ao reler o texto, pois só confirma o fato de que somos eternos aprendizes. Preparamos atividades muitas vezes pensando nas dificuldades que possuem, no entanto, é uma via de mão dupla, eles é quem nos ensina o verdadeiro sentido de amar e servir.
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